quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Todo ser que respira... (3)

Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder.
Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza.
Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa.
Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas.
Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes.
Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia.

Salmo 150





Por que Deus deve ser louvado?


A próxima pergunta, a que o salmista responde é: Por que louvar? Sua resposta aponta dois motivos: pelos "poderosos feitos"de Deus e por causa da sua "muita grandeza".
Louvamos, portanto, a Deus por aquilo que Ele faz e por aquilo que Ele é.

  • Adorar pelo que Deus faz: Os feitos de Deus são poderosos. Deus cria o universo, o ser humano, os animais, os vegetais e os minerais de toda espécie, e também preserva e nutre sua criação; Deus salva o/a pecador/a, em Cristo, por sua graça eterna; Deus acolhe os seres aflitos e ouve o clamor dos/as oprimidos/as; Deus perdoa, cura, restaura; Deus julga e aplica a justiça e o direito, fartando de bens os pobres e repreendendo a ambição dos ricos; Deus visita a sua Igreja e a comissiona para que faça parte da sua missão no processo de implantação do seu reinado... Todos esses e muitos outros são motivos para louvarmos a Deus.
  • Adorar pelo que Deus é: também devemos louvá-lo por aquilo que Ele é. Deus é onipotente, onisciente, onipresente; Deus é justo e santo, benigno e misericordioso; Deus é amoroso, é Pai materno, é castelo forte, refúgio e fortaleza, é abrigo e amparo... As palavras de John Wesley sintetizam bem essa atitude de louvor quando exclamam: "Ó Deus, meu Deus, tu és meu tudo...".
Quando nos apresentamos diante de Deus para adorá-lo, devemos trazer à memória esses motivos maravilhosos, para que nosso louvor seja consistente e condizente com aquele que haverá de recebe-lo.


Extraído do livro "Todo ser que respira... a missão da música na igreja", de autoria de Luiz Carlos Ramos. Editeo/Igreja Metodista

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Todo ser que respira... (2)

Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder.
Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza.
Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa.
Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas.
Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes.
Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia.

Salmo 150



Onde Deus deve ser louvado?


O salmista parece ter diante de si interlocutores que, como a mulher samaritana fez com Jesus séculos mais tarde (ver Jo 4.20), questionam: "uns dizem que o lugar certo de se adorar é aqui, outros dizem que é acolá. Qual é, afinal, o lugar certo para louvar?"
A resposta do salmista é inequívoca: há dois lugares privilegiados para louvar a Deus: no "santuário"e no "firmamento".
Provavelmente havia alguns que diziam que o louvor só era válido se fosse no Templo. Outros, críticos do sistema, rejeitavam o Templo e tinham muitos motivos para isso, pois este, com frequência, se convertia em "casa de salteadores"e lugar de "vendilhões", sem falar na exploração do povo, promovida pelos profissionais da religião, por meio da cobrança de onerosos impostos. Havia, portanto, quem defendesse e quem rechaçasse o templo.
O salmista defende, por um lado, o Santuário. Sim, há um lugar construído especialmente com a finalidade de oferecer ao povo um espaço condizente para prestar sua homenagem ao seu Deus. Mas há um "porém": o Templo, obra de mãos humanas, deve estar a serviço ao culto, e não o contrário. O culto não depende do Templo, é o Templo que existe por causa do Culto. Por essa razão, o autor do salmo acrescenta: "louvai-o no firmamento, obra do seu poder". O vasto Universo é o grande Templo no qual Deus deve ser louvado. E, como se comprovará mais adiante, o próprio corpo humano será exaltado como lugar privilegiado da habitação divina, sim: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós [...]?"(1Co 6.19).
Deus é maior do que o Templo. Deus está no Templo, mas não está confinado a ele: as abas das suas vestes já são suficientes para preenchê-lo completamente. A glória de Deus está no templo, mas não está restrita a ele. A glória de Deus ultrapassa o templo e inunda o mundo "como as águas cobrem o mar"(ver Is 6.1-3).
Concluímos, então, que o lugar certo para adorarmos a Deus é qualquer lugar sob o céu, ou seja: "no firmamento". Não é o espaço que condiciona o culto, mas o culto que define o espaço. É bom que tenhamos edifícios próprios para adorarmos, mas nunca devemos nos esquecer que, independentemente do lugar, "os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade"(Jo 4.23).


Extraído do livro "Todo ser que respira... a missão da música na igreja", de autoria de Luiz Carlos Ramos. Editeo/Igreja Metodista

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Todo ser que respira... (1)

Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder.
Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita grandeza.
Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa.
Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas.
Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos retumbantes.
Todo ser que respira louve ao Senhor. Aleluia.

Salmo 150


Quem deve ser louvado?

O tema do salmo é apresentado na primeira palavra. A expressão "aleluia" (halal, no hebraico) pode ser traduzida por "louvar", mas é muito mais rica e praticamente sem equivalente em português. Por isso, ao longo da história, optou-se pela transliteração adaptada do termo original. Trata-se, portanto, de um "hebraísmo", isto é, uma construção própria da língua hebraica. E isso se deu em praticamente todos os lugares do mundo. Onde quer que se vá, o termos "aleluia", com algumas poucas modificações, ficou preservado, Virou uma palavra mundial.
"Aleluia", portanto, é uma expressão carregada de sentidos, que não pode ser traduzida por uma única palavra. Ela exprime um sentimento, um modo de pensar, um estado de espírito, uma disposição de ânimo, um jeito, enfim, de ser  e de agir diante do Sagrado.
Secularmente, no entanto, "louvar" tem sentido mais limitado e significa "enaltecer (alguém ou a si próprio) com palavras; dizer bem de; dirigir louvores a; elogia (-se). gabar (-se)" e seu emprego não está necessariamente restrito ao Sagrado. Pode-se louvar, elogiar, uma pessoa ou uma divindade.
O Salmo 150, porém, deixa muito claro o sentido que o autor dá ao termo, e quem é aquele que deve ser louvado: "Louvai a Deus".
A Bíblia emprega vários verbetes para designar Deus. Neste salmo, em particular, a palavra empregada é YaHWeH, ou Javé. Trata-se do nome mais sagrado de Deus, com o qual Ele se auto-designou ao apresentar-se a Moisés, do meio da sarça ardente. Este é o nome que não deve ser tomado em vão, preceito que encabeça a lista dos Dez Mandamentos. Para pronunciar esse nome, os hebreus tinham de realizar todo um processo de purificação. Muitas vezes, quando liam as Escrituras Sagradas, simplesmente substituíam o nome de Deus por um silêncio e por um gesto de inclinação do corpo.
Assim, está plenamente respondida a pergunta: Quem deve ser louvado? Reposta: O Único, o Santo, o Sagrado, Deus Javé. Mas nunca de maneira banal, nunca deixando escapar da boca, descuidadamente, o Nome Sagrado. Assim, quando louvamos, devemos ser "econômicos" em nossas palavras, evitando, principalmente, banalizar o Nome de Deus.

Extraído do livro "Todo ser que respira... a missão da música na igreja", de autoria de Luiz Carlos Ramos. Editeo/Igreja Metodista